A Megabiodiversidade Brasileira e o Audiovisual
Autor: Carlos Sanches
A cada ano, estudos em diferentes regiões do país incluem novas espécies a já extensa lista da fauna e da flora brasileiras. Até o presente já foram identificadas 125.076 espécies de animais, incluindo 775 de mamíferos (SBMz, 2023), 1971 de aves (CBRO, 2023), 1188 de anfíbios (SBH, 2023), 850 de répteis (SBH, 2023) e mais de 90.000 de insetos. São 52.109 espécies de plantas e fungos identificadas (JBRJ, 2023). Esses números que incluem muitas espécies endêmicas colocam o Brasil em primeiro lugar entre os países megabiodiversos.
O conceito de megabiodiversidade é baseado no número total de espécies em um país e no grau de endemismo no nível de espécies e em níveis taxonômicos mais altos. Em julho de 2000, o World Conservation Monitoring Centre reconheceu 17 países megabiodiversos: Brasil, Austrália, China, Colômbia, República Democrática do Congo (RDC), Equador, Índia, Indonésia, Madagascar, Malásia, México, Papua Nova Guiné, Peru, Filipinas, África do Sul, Estados Unidos e Venezuela. Juntos esses países abrigam 70% das espécies da Terra.
A enorme diversidade biológica do Brasil se deve não só à sua dimensão continental, mas principalmente devido a sua diversidade de biomas e ecossistemas terrestres e marinhos. Não foi à toa que a Convenção da Diversidade Biológica (CDB) foi assinada no Brasil durante a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92.
Trinta e um anos depois, o Brasil se encontra em plena retomada da agenda ambiental, após a crise sanitária promovida pela Covid 19 e em meio a um período marcado por três grandes crises sistemáticas: a da biodiversidade, a da degradação da Terra e a das mudanças climáticas. Todas essas crises se entrelaçam dentro de um mesmo processo e pedem ações de proteção dos ecossistemas naturais e da biodiversidade.
Uma dessas ações é a implementação de unidades de conservação, principalmente as de proteção integral, que não permitem o uso direto dos recursos naturais existentes em seus limites. Apesar dos crescentes esforços institucionais ocorridos neste século, o Brasil protege integralmente somente 6,04% do seu território terrestre e 3,31% do seu ambiente marinho (CNUC, 2023).
Diante do desafio de promover essa enorme diversidade biológica e de apoiar as ações para a sua conservação, o audiovisual surge como um dos principais instrumentos para isso. Presente através das telas do cinema, da TV e dos computadores, ganha ainda mais espaço na vida das pessoas por meio dos celulares.
Ainda assim, o espaço de tela preenchido por produções audiovisuais desse tipo ainda é muito pequeno. Não por falta de popularidade, já que os documentários de natureza são bastante populares. A série “Nosso Planeta” da Netflix foi uma das produções de maior audiência do canal em 2019. O resultado se repete com outras produções do gênero. A natureza brasileira ainda aparece pouco nas telas do mundo e do próprio país. Está na hora de mudar isso.